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Celulose brasileira fica totalmente isenta de tarifaço de Trump

Insumo usado na fabricação de papéis, fraldas e absorventes já estava na lista de exceções da sobretaxa de 40% em vigor desde início de agosto e, agora, ficará de fora até mesmo da "tarifa recíproca" de 10%

Publicado por admin@sinpacems.org.br • 12/set/2025 • 12h38

Por Vinicius Neder | O GLOBO  — Rio de Janeiro

As vendas de celulose do Brasil para os EUA estão isentas até mesmo da “tarifa recíproca” de 10% introduzida pelo governo Donald Trump em abril, segundo mudanças recentes na lista de bens excluídos do tarifaço, previstas numa ordem executiva editada na última sexta-feira pela Casa Branca.

A Indústria Brasileiro de Árvores (Ibá), associação que representa os fabricantes de celulose, confirmou o entendimento de que as tarifas americanas caíram.

Para Hartung, a isenção da celulose e parte dos derivados mostra “a importância do caminho da diplomacia e do diálogo”. “É necessário que o governo se mantenha firme na busca de canais, assim como empresários devem manter o contato constante com seus clientes e fornecedores”, diz a nota.

De fora dos 40%

A celulose já estava na lista de exceções da sobretaxa adicional de 40%, que foi anunciada por Trump no início de julho e entrou em vigor no início de agosto. Com o decreto da última sexta-feira, ficou de fora também da tarifa de 10% em vigor desde abril.

Por outro lado, outros produtos da indústria madeireira ainda estão sujeitos ao tarifaço, como ressaltou a nota da Ibá. “O novo decreto não altera as tarifas adicionais aplicadas a papéis em geral e a painéis de madeira, questões que ainda precisam ser endereçadas e estão sendo acompanhadas de perto pela Ibá e empresas associadas.”

A indústria de móveis e produtos de madeira para construção civil, cujos polos principais ficam no Paraná e em Santa Catarina, estão entre as atividades mais dependentes das exportações para os EUA.

A ordem executiva publicada pela Casa Branca faz diversas modificações no rol dos produtos sujeitos ao tarifaço. Uma longa lista de códigos da classificação americana de bens para fins de comércio exterior foi colocada em três anexos do decreto.

No Anexo 2, que lista produtos que “não estão cobertos” pelas tarifas recíprocas de 10%, estão três códigos que incluem a celulose e derivados. Segundo a Ibá, esses três itens respondem por 90% das vendas de celulose do Brasil para os EUA.

 

O Brasil é o maior fornecedor de celulose do mundo, segundo a Ibá. O destaque da produção nacional é a celulose de fibra curta, usada na fabricação de papel branco, tipo ofício, e também na indústria de higiene e limpeza — papel higiênico, papel toalha, fraldas e absorventes.

As exportações de celulose do Brasil somaram US$ 6,9 bilhões no acumulado até agosto deste ano, alta de 1,4% ante igual período de 2024, segundo os dados da balança comercial, divulgados pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Os preços globais do insumo estão em queda, mas o valor das vendas externas subiu porque, em quantidade, houve um salto de 15,6% na comparação anual das exportações brasileiras de celulose.

Suzano, a maior do mundo, diz que tem ‘exposição limitada’

 

A brasileira Suzano é a maior fabricante de celulose de fibra curta do mundo. Logo quando Trump anunciou a sobretaxa adicional sobre o Brasil, numa postagem nas redes sociais no início de julho, a companhia foi tida como uma das mais afetadas.

Toalhas de papel e guardanapos Scott e lenços Kleenex são algumas das marcas globais da Kimberley-Clark que ficarão com a nova empresa a ser criada em parceria com a Suzano — Foto: Daniel Acker/Bloomberg
Toalhas de papel e guardanapos Scott e lenços Kleenex são algumas das marcas globais da Kimberley-Clark que ficarão com a nova empresa a ser criada em parceria com a Suzano — Foto: Daniel Acker/Bloomberg

No relatório de resultados financeiros do segundo trimestre, divulgado no início de agosto, a Suzano destacou que o anúncio das tarifas recíprocas pelos EUA, no início de abril, derrubou as cotações globais de celulose. Ainda assim, a companhia ressaltou que o insumo ficou de fora da sobretaxa adicional de 40% e informou que “possui exposição comercial limitada ao mercado norte-americano”.

Depois, em junho, anunciou o investimento de US$ 1,7 bilhão numa parceria com a também americana Kimberly-Clark. Juntas, as duas companhias formarão uma nova empresa, avaliada em US$ 3,4 bilhões, para controlar suas unidades de produtos da linha “tissue” — papel higiênico, guardanapo, toalhas de papel e lenços. A americana incluiu no negócio, que envolve 22 fábricas em 14 países, apenas suas unidades fora dos EUA.

Fonte do conteúdo: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/09/10/celulose-brasileira-fica-totalmente-isenta-de-tarifaco-de-trump.ghtml


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